Ações

Exposição Brasília

Abdias Nascimento 90 Anos Memória Viva

Galeria Athos Bulcão do Anexo do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

11 de maio a 29 de junho de 2004

Repetindo o sucesso do Rio de Janeiro, onde teve a temporada da exposição prorrogada por duas vezes, a mostra Abdias Nascimento 90 Anos – Memória Viva chegou a Brasília em 2006. Como o próprio título sugere, tratou-se de uma mostra em homenagem aos 90 anos de idade de Abdias Nascimento (completados em março de 2004), oferecendo um testemunho único do Brasil do século XX, a partir de fotografias, documentos históricos, obras de arte e objetos. Um passeio pela vida e pela obra do grande mestre. A mostra foi uma realização do Ipeafro.

O conceito da mostra foi baseado na escrita ideográfica adinkra, da África ocidental, uma referência constante na obra de Abdias. O percurso tem início com a representação de um Exu, a entidade mensageira dos Orixás, aquela a quem todos devem pedir licença antes de iniciar um ritual. E só depois de passar por ele é que o visitante tem acesso ao universo de Abdias Nascimento, representado ele mesmo por uma grande fotografia em tamanho natural. A partir daí, sucedem-se sete espaços expositivos, que promovem um mergulho no pensamento e na atuação do líder, tanto sob o ponto de vista artístico quanto político.

O primeiro espaço é a Sala Biográfica, contendo 13 painéis fotográficos e textos explicativos que percorrem a trajetória pessoal do homenageado. Em seguida, a Sala da África apresenta a cultura africana, principal influência da obra e do pensamento de Abdias Nascimento. Ali estão três painéis fotográficos e 18 pinturas de Abdias que remetem a culturas ancestrais e símbolos africanos da antiguidade. “A pintura de Abdias focaliza a cultura dos orixás, a partir de suas origens no Egito antigo. Explora a simbologia do candomblé, do adinkra e do vodu do Haiti, mesclando-as à evocação dos heróis e princípios da luta libertária na África e na diáspora”, afirma a curadora Elisa Larkin Nascimento. E acrescenta: “O conjunto se insere numa ampla visão da civilização africana em todo o mundo. O povo de origem africana emerge como autor de saberes eruditos e criador de uma estética de profundo impacto e significado”.

Na Sala Teatro Experimental do Negro o visitante poderá ver fotos dos primeiros atores negros da história do teatro no Brasil e 45 painéis com textos explicativos, além de documentos, cartas e textos teatrais originais, comendas e objetos. O TEN formou atores e atrizes negros e propiciou a criação de uma literatura dramática afro-brasileira.

Em seguida, o visitante tem acesso à Sala do Exílio, que registra a atuação política de Abdias e do Movimento Social Afro-Brasileiro. Ali estão 15 painéis com imagens e textos mostrando o desempenho de Abdias como deputado e como senador federal, encontros internacionais, fatos marcantes para a história brasileira como a criação do PDT, além de um vídeo exibindo documentário sobre Abdias Nascimento, feito pela cineasta Lúcia Murat, e trechos de entrevistas concedidas pelo homenageado a diversas emissoras de televisão do Brasil.

A Sala Museu de Arte Negra inclui cerca de 40 obras, entre pinturas e desenhos, feitas por alguns dos mais destacados artistas brasileiros da década de 50, época em que foi criado. Logo depois, um espaço reservado apresenta pinturas de vários artistas que participaram do concurso Cristo Negro, realizado pelo Museu de Arte Negra em 1955 e no qual competiram artistas do cacife de Djanira (vencedora do primeiro lugar). Também inclui obras mais recentes de artistas afrodescendentes sobre o mesmo tema.

O percurso de Abdias Nascimento 90 Anos – Memória Viva termina numa instalação circular que abriga pinturas feitas por Abdias sobre Orixás e Exus. No total, 32 obras representam algumas das mais cultuadas entidades do candomblé. Ao fundo, os quatro elementos primordiais: terra, água, fogo e ar. Ao tomar o caminho de volta, o visitante se vê diante de um símbolo adinkra representando um pássaro que olha para trás. Quase a dizer em voz alta que o resgate e a valorização da origem são imprescindíveis para o presente e o futuro.

FICHA TÉCNICA

Curadoria
Elisa Larkin Nascimento

Projeto museográfico
Afonnso Drumond

Assistência de projeto
Suzana Yae Ishigo

Consultoria museográfica
Luiz Carlos Ferreira

Pesquisa:
André Luiz Gomes
Antônia Ceva
Carlos Henrique Bemfica
Clarisse Vianna Dantas
Reinaldo da Silva Guimarães

Organização e descrição inicial do acervo documental
Anamaria Fagundes
André Luiz Gomes
Isadora Mota
Reinaldo da Silva Guimarães

Elaboração e tradução de textos
Elisa Larkin Nascimento

Revisão de textos
Malu Resende, Carlos Alberto Medeiros

Restauro de obras artísticas
Cláudio Eduardo

Restauro de documentos
Ivy Silva

Assessoria de imprensa
Gioconda Caputo, Carmem Moretzsohn
Objeto Sim Assessoria de Imprensa e Projetos Culturais

Design de mídia impressa
Luiz Carlos Gá

Design de painéis informativos
Maria de Oliveira, Martha Gubernikoff, Vera Lopes

Assistência de design de painéis
Ricardo Bacellar

Escaneamento
Susanna Peters

Projeto de iluminação
Valmyr Ferreira

Assistente de iluminação
Daniel Galvan

Eletricistas cênicos
Will de Souza, José Raimundo Neto, Francisco Nonato Carneiro

Coordenação de montagem cenográfica
Jorge Kugler e Fátima de Souza

Assistente de cenografia
Carlos Artigos

Auxiliar de cenografia
Luiz Carlos Nascimento

Equipe da Secretaria de Cultura do Distrito Federal
Florisval F. de Souza, Raimundo Luiz, José Araújo, Paulo da Costa, Francisco Pedro Oliveira, José Ivan de Castro

Pintura de painéis
Marco Cardoso, Thelma Cristina

Pintura de arte e efeitos especiais
Clécio Régis e equipeSerralharia: Cláudio de Assis

Web design
Eduardo Riera - Dagdesign

Edição de Vídeos
Elisa Larkin Nascimento, Afonnso Drumond

Assistente de edição
Felipe Rodrigues

Operador de ilha
Vinícius Michelli

Câmera
Fernando Medeiros

Fotolitos
Bela Imagem

Impressão de peças gráficas
ABE Graph

Impressão de painéis fotográficos
Fotosfera

Articulação e apoio
Gustavo Amora - Ágere Cooperação em Advocacy

Coordenação e apoio logístico a visitas guiadas de grupos comunitários
Comunidade Bahá’í do Brasil

Coordenação de monitoria
Jaques Jesus, UnB

Coordenação de visitas guiadas de escolas
Marlene Bonfim, UnB

Parceria
Universidade de Brasília - UnB
Reitor: Timothy Mulholland

Decanato de Extensão: Decana Leila Chalub

Coordenação Técnica de Extensão: Marlene Bonfim

Centro de Convivência Negra: Jaques Jesus

Coordenadora de Extensão: Dione Moura

Administração financeira
Pan Eventos

Controller
Thiago Soares

Assistentes de produção (Rio de Janeiro)
Cleide Barcelos, Lea Regina Dias da Silva

Produção (Brasília)
Luiz Henrique Costa - Microfast Comércio e Serviço Ltda.

Coordenação de produção
Afonnso Drumond

Execução do projeto
Personas Produções

Realização
IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros

 

PATROCÍNIO

           

 

APOIO

Secretaria de Cultura, Governo do Distrito Federal

                          

 

 

O Ipeafro trabalha com a matriz africana e relações étnico-raciais no ensino brasileiro

Para fins comerciais ou para reprodução e distribuição em qualquer meio de comunicação, é proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste website sem prévia autorização do Ipeafro.