Acervo Digital

Museu de Arte Negra

"Uma arte brasileira, para ser autêntica precisa incorporar o cânon negro que permeou nossa formação desde os primeiros dias."

- Abdias Nascimento, 1950

 A partir da fértil e polêmica discussão sobre o tema “Estética e Negritude”, tese de Ironides Rodrigues, o plenário do 1º Congresso do Negro Brasileiro aprovou resolução sobre a necessidade de se criar um Museu de Arte Negra. O objetivo era duplo: por um lado, apoiar artistas negros e por outro, trazer ao público o conhecimento da matriz africana da arte ocidental moderna e contemporânea.

O Teatro Experimental do Negro assumiu o projeto e passou a colecionar peças e a incentivar artistas afro-brasileiros. Propiciou e engajou-se em um rico diálogo com críticos e criadores das artes visuais da época que colaboraram com o projeto, doando obras e participando de eventos e debates. Em 1955, realizou um concurso de artes plásticas sobre o tema do Cristo Negro.

O acervo acumulado ao longo de 18 anos, a partir de 1950, teve apenas uma exposição inaugural, realizada em 1968 no Museu da Imagem e do Som, na Praça XV. Após sair do Brasil em 1968, e voltando do exterior em 1982, Abdias Nascimento continuou seu diálogo com artistas afrodescendentes de diversos países. Muitos deles ofereceram obras que vieram enriquecer a coleção.

A partir de 1968, Abdias Nascimento passou a criar suas próprias telas, que integram a Coleção Museu de Arte Negra junto com as peças do Museu de Arte Negra.

Apesar dos esforços de sua direção, o projeto Museu de Arte Negra nunca conseguiu ter uma sede própria. As peças ficaram sob a guarda do seu curador, Abdias Nascimento, e hoje fazem parte do acervo Ipeafro. A partir de 2003 o Ipeafro conseguiu apoio e condições financeiras para restaurar algumas das obras e exibir parte da coleção no Solar Grandjean de Montigny na PUC-Rio. No Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (antiga Casa da Moeda), com uma exposição maior e mais desenvolvida, a temporada foi duas vezes prorrogada. Em 2006 essa exposição seguiu para a Galeria Athos Bulcão (Brasília) e para a Caixa Cultural Salvador, onde integrou a programação cultural da II Conferência de Intelectuais Africanos e da Diáspora da União Africana. Em 2011, a exposição “África-Brasil, Ancestralidade e Expressões Contemporâneas” teve lugar no Centro Cultural Justiça Federal. Essa exposição, adaptada para itinerância, foi apresentada também na Casa de Cultura de Maricá, no SESC de São João de Meriti, na Biblioteca Leonel de Moura Brizola em Duque de Caxias, e no Centro de Convenções da UENF em Campos dos Goytacazes.

 

O Ipeafro trabalha com a matriz africana e relações étnico-raciais no ensino brasileiro

Para fins comerciais ou para reprodução e distribuição em qualquer meio de comunicação, É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste website sem prévia autorização do Ipeafro.